Medidas do BC atenuaram perdas
Há seis meses (completados ontem), o mercado mundial acordou atônito com o pedido de concordata do centenário Lehman Brothers, na época, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos. Era o início da crise econômica que se alastrou mundo a fora e tornou-se a pior desde a grande depressão iniciada com o crash da bolsa americana em 1929. O tsunâmi financeiro arrastou, sem excessão, todos os países para um poço no qual ainda não se vê o fundo. No Brasil, as inúmeras medidas adotadas pelo Banco Central (BC) desde o início dos problemas também não impediram o contágio da economia real via retração no crédito e alta do dólar mas abrandaram os efeitos no mercado doméstico.
Não foram poucas as iniciativas do BC. A primeira, adotada dias após a quebra do Lehman Brothers, foi um leilão de dólares com compromisso de recompra, realizado em um momento de disparada da moeda. Na sequência, vieram liberação dos compulsórios dos bancos, criação de linhas de crédito específicas para exportadores, isenção do IOF sobre aplicação no mercado de capitais e financiamentos externos, além de leilões de dólares nos mercados à vista e futuro.
Dados recentes do BC apontam que as intervenções já atingiram US$ 66,2 bilhões para conter o câmbio e garantir crédito em moeda estrangeira. Desde a derrocada do Lehman até a última sexta-feira, o dólar subiu 26%, mesmo com todas as iniciativas do BC. A retração econômica, com queda no preço das commodities, reduziu impactos do dólar na inflação. Os maiores efeitos foram sentidos por empresas que faziam apostas contra o dólar no mercado futuro.
Desde a intensificação da crise global, os efeitos no mercado doméstico chegaram via crédito.
O principal motivo para a retração do crédito foi o medo da inadimplência, que levou bancos a restringirem concessões diz Fernando Manfio, da Witrisk, empresa especializada na gestão de riscos.
Manfio acha um erro a restrição de crédito sem inteligência.
As medidas do governo ajudam, mas não impedem movimentos de retração baseados no medo. Segurar o crédito como um todo é pior. O certo seria adotar medidas seletivas de restrição da oferta.
Um dos instrumentos usados pelo BC no período foi a flexibilização nos limites dos depósitos compulsórios dos bancos. Para o economista da Austin Rating, Alex Agostini, a iniciativa é boa, mas ainda tímida.
A ideia de que o Brasil estava blindado retardou uma reação do BC que só agora em janeiro começou a reduzir a Selic lembra.
Após dois cortes seguidos, com redução de 2,5 p.p. no juro, Agostini lembra da economia obtida.
A economia, hoje de US$ 7 bilhões, pode ir a R$ 10 bi com mais um corte de 1,5 ponto.
Jiane Carvalho
Fonte: Jornal do Brasil - 16/03/09